CARTA ENVIADA AO PRESIDENTE DA PETROBRÁS
Exmo. Sr. José Sérgio GABRIELLI
Com cópias para:
DILMA ROUSSEFF – Ministra-Chefe da Casa Civil e Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás;
EDILSON LOBÃO – Ministro das Minas e Energia;
GUILHERME ESTRELLA - Diretor de Exploração e Produção da Petrobrás;
RENATO DUQUE - Diretor de Serviços da Petrobrás;
ALMIR BARBASSA – Diretor Financeiro da Petrobrás;
GILBERTO CARVALHO – Chefe de Gabinete da Presidência da Republica e
Deputado Federal: EDMILSON VALENTIM – Coordenador da Frente Parlamentar da Indústria Naval e da Marinha Mercante Brasileira.
Of. 460/2008 - PI
Ao
Petróleo Brasileiro S.A - Petrobrás
At. Exmo. Sr. SÉRGIO GABRIELLI
MD: Presidente
Assunto: Construção de Plataforma para o Campo de Jubarte
Ref.: FPSO P-57 da SBM Single Buoy Mooring
Senhor Presidente:
A Direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis e Região, através do presente, reafirmam seu posicionamento de total confiança ao compromisso do governo Lula e da Direção da Petrobras à política da Indústria Naval e da Marítima do Brasil, o seguinte:
A Petrobras, contrariando muitos interesses, cita-se o período de 2003 a 2005, direcionou grandes encomendas de plataformas aos estaleiros nacionais. Essa decisão política foi fundamental para o soerguimento da indústria naval brasileira e a manutenção no país em cerca de 40 mil postos de trabalhos, o que gerou cerca de oito mil empregos, em Angra, que era de apenas seis funcionários no inicio do ano de 2000.
Esse é o caso emblemático da P-51, primeira Plataforma semi-submersível completamente construída no Brasil, o que nos enche de orgulho.
Todos nós sabedores que com a posse do presidente Lula, em janeiro de 2003, um novo direcionamento político foi dado à Petrobras: priorizar o maior número possível de construções de obras no Brasil. E, de lá para cá, foram construídas, segundo os nossos registros, as seguintes unidades no Brasil, que possibilitou a geração de milhares de empregos para brasileiros:
VEJA O QUADRO

Entretanto, senhor Presidente, foi nesse período também, que a Petrobras contratou fora do Brasil 26 Unidades, o que gerou mais de 40 mil postos de trabalhados também, em outros países. Veja o quadro a seguir:

Por outro lado, aconteceram recentes descobertas na camada do pré-sal e essa descoberta deu inicio a oportunidade histórica de novos postos de trabalho, e o presidente Lula disse que:
-O desenvolvimento da Indústria nacional tem que ser beneficiado, mesmo que para isso tenhamos que medir a velocidade com que vamos explorar estes campos – defende.
Essa sensibilidade com o setor naval é fundamental para que os trabalhadores e as indústrias nacionais tenham o prazo para atender à enorme e desafiadora demanda de encomendas. É bom lembrar que já existem no país estaleiros qualificados, testados, preparados e capacitados para esse desafio. O que falta é vontade política da iniciativa estatal e privada.
A Petrobras tem se afastado nos últimos anos de seu compromisso na construção de novas unidadess, para aumentar o conteúdo nacional de novas plataformas, inclusive, do pré-sal.
Por outro lado os metalúrgicos não têm nenhuma perspectiva em curto prazo, já que as únicas obras previstas para entrar em licitação e serem feitas no Brasil, são as oito FPSO, com os seus cascos, já direcionados para o dique-seco, no Rio Grande do Sul, o que vai gerar milhares de empregos para nós brasileiros. Entretanto, esses novos empregos para a maioria absoluta dos trabalhadores, só acontecerá a partir de meado de 2010, o que é muito tempo para quem hoje, perde o emprego por falta de obras com tantas outras sendo feitas fora do Brasil.
CONTEÚDO NACIONAL
É PRECISO AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO NACIONAL
Mas, Lamentavelmente...
Os campos de Carioca, Caramba, Bem-Te-Vi, Paraty, Lara, Guará e Júpiter, todos já licitados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), têm conteúdo nacional médio declarado, com percentagem de apenas 35%.
Esse percentual ínfimo, que hoje não reflete a capacidade da Indústria Nacional, deveria ser de conteúdo nacional mínimo de 75% em todas as fases, e não como acontece hoje, entorno de 65% só sobre o top side (planta), excluindo-se, o casco, o casario (estrutura) e o flare.
O apelo pelo lucro imediato tem feito a Petrobras decidir por contratar obras no exterior. Desde 2003, foram contratadas 26 Unidades (plataformas e ou FPSO) fora do Brasil, sendo que, apenas nove foram encomendas e construídas no Brasil, essa equação é prejudicial aos trabalhadores e ao povo brasileiro. Com certeza, não é essa a orientação do presidente LULA!
P -57: ACORDO QUEBRADO PELA SBM
Senhor Presidente:
Quanto a Plataforma P-57 solicitamos que a Petrobras nos informe se a Single Buoy Mooring (SBM) firmou ou não o compromisso em construir a plataforma no Brasil, caso fosse a vencedora da licitação. É que segundo informações, a SBM, participou da licitação dando como local para a construção dessa unidade a área do estaleiro Keppel Fels, em Angra dos Reis.
Entretanto, o que se sabe é que a SBM foi a vencedora da Licitação de 1 bilhão e 300 milhões de dólares para a construção da P-57 e que fará uma pequena parte desse valor, cerca de U$$ 50 milhões, no BrasFELS, em Angra e outros míseros U$$ 35 milhões na Ultratec,em Niterói , o que seria, caso se confirme, a maior quebra de acordo dos últimos tempos.
Senhor Presidente:
Todos nós somos sabedores que a entrega de uma plataforma é um misto de felicidade e de tristeza. Felicidade pelo excelente trabalho por nós realizado, por outro tristeza, pois representa o início das demissões em massa. O fato é que neste momento o Estado do Rio de Janeiro já demitiu milhares trabalhadores. No final de outubro serão demitidos três mil trabalhadores no Estaleiro Mauá, pior, o estaleiro se encaminha para o fechamento, pois a Petrobras vem adiando desde Março a contratação da Plataforma P-62.
Por outro lado, aqui em Angra (Estaleiro BrasFELS), como os senhores testemunharam no evento cerimonial de batismo e entrega da plataforma P-51, obra que, aliás, registra um marco histórico da indústria e da engenharia naval brasileira, o quadro de empregados começa a cair, só nos meses de Setembro e Outubro, já foram praticada pelo estaleiro em Angra mais de mil demissões, de companheiros(as) que cumpriram com o seu dever de construir a Plataforma que é sendo, a própria Petrobras: “orgulho do povo brasileiro”.
Entretanto, os trabalhadores milhares de companheiros (as) que construíram as plataformas P-52 e P-51, certamente não farão parte do quadro de empregados que construirá a plataforma P-56, que se encontra, no estágio atual, nas oficinas em processamento do aço.
DECEPÇÃO...
A nossa maior esperança era a P-57, mas, ao que parece o novo formato de contração e licitação delineado e adotado pela Petrobras para este projeto garantiu os empregos no exterior e não aqui no Brasil, principalmente, em Angra dos Reis, como fora acordado e não cumprido pela SBM. Nossa preocupação é que se essa ‘’onda pegar’’, o mesmo poderá acontecer com as futuras plataformas, inclusive, com as P-61 e P-63 que já estão em processo de licitação, e na mesma modelagem de licitação da P-57.
Senhor Presidente, mas uma vez, os trabalhadores contam com a intervenção do senhor, para que essa questão seja resolvida.
Sem mais para o momento, no aguardo de vossa posição, subscrevemo-nos.
Atenciosamente
Paulo Ignácio Furtuozo
Presidente
E-mail: pifurtuozo@uol.com.br ou metalurgicoangra@uol.com.br
(24) 9277-9799 Telefax (24) 3366-7062/3361-2130
-O desenvolvimento da Indústria nacional tem que ser beneficiado, mesmo que para isso tenhamos que medir a velocidade com que vamos explorar estes campos – defende.
Essa sensibilidade com o setor naval é fundamental para que os trabalhadores e as indústrias nacionais tenham o prazo para atender à enorme e desafiadora demanda de encomendas. É bom lembrar que já existem no país estaleiros qualificados, testados, preparados e capacitados para esse desafio. O que falta é vontade política da iniciativa estatal e privada.
A Petrobras tem se afastado nos últimos anos de seu compromisso na construção de novas unidadess, para aumentar o conteúdo nacional de novas plataformas, inclusive, do pré-sal.
Por outro lado os metalúrgicos não têm nenhuma perspectiva em curto prazo, já que as únicas obras previstas para entrar em licitação e serem feitas no Brasil, são as oito FPSO, com os seus cascos, já direcionados para o dique-seco, no Rio Grande do Sul, o que vai gerar milhares de empregos para nós brasileiros. Entretanto, esses novos empregos para a maioria absoluta dos trabalhadores, só acontecerá a partir de meado de 2010, o que é muito tempo para quem hoje, perde o emprego por falta de obras com tantas outras sendo feitas fora do Brasil.
CONTEÚDO NACIONAL
É PRECISO AUMENTAR A PARTICIPAÇÃO NACIONAL
Mas, Lamentavelmente...
Os campos de Carioca, Caramba, Bem-Te-Vi, Paraty, Lara, Guará e Júpiter, todos já licitados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), têm conteúdo nacional médio declarado, com percentagem de apenas 35%.
Esse percentual ínfimo, que hoje não reflete a capacidade da Indústria Nacional, deveria ser de conteúdo nacional mínimo de 75% em todas as fases, e não como acontece hoje, entorno de 65% só sobre o top side (planta), excluindo-se, o casco, o casario (estrutura) e o flare.
O apelo pelo lucro imediato tem feito a Petrobras decidir por contratar obras no exterior. Desde 2003, foram contratadas 26 Unidades (plataformas e ou FPSO) fora do Brasil, sendo que, apenas nove foram encomendas e construídas no Brasil, essa equação é prejudicial aos trabalhadores e ao povo brasileiro. Com certeza, não é essa a orientação do presidente LULA!
P -57: ACORDO QUEBRADO PELA SBM
Senhor Presidente:
Quanto a Plataforma P-57 solicitamos que a Petrobras nos informe se a Single Buoy Mooring (SBM) firmou ou não o compromisso em construir a plataforma no Brasil, caso fosse a vencedora da licitação. É que segundo informações, a SBM, participou da licitação dando como local para a construção dessa unidade a área do estaleiro Keppel Fels, em Angra dos Reis.
Entretanto, o que se sabe é que a SBM foi a vencedora da Licitação de 1 bilhão e 300 milhões de dólares para a construção da P-57 e que fará uma pequena parte desse valor, cerca de U$$ 50 milhões, no BrasFELS, em Angra e outros míseros U$$ 35 milhões na Ultratec,em Niterói , o que seria, caso se confirme, a maior quebra de acordo dos últimos tempos.
Senhor Presidente:
Todos nós somos sabedores que a entrega de uma plataforma é um misto de felicidade e de tristeza. Felicidade pelo excelente trabalho por nós realizado, por outro tristeza, pois representa o início das demissões em massa. O fato é que neste momento o Estado do Rio de Janeiro já demitiu milhares trabalhadores. No final de outubro serão demitidos três mil trabalhadores no Estaleiro Mauá, pior, o estaleiro se encaminha para o fechamento, pois a Petrobras vem adiando desde Março a contratação da Plataforma P-62.
Por outro lado, aqui em Angra (Estaleiro BrasFELS), como os senhores testemunharam no evento cerimonial de batismo e entrega da plataforma P-51, obra que, aliás, registra um marco histórico da indústria e da engenharia naval brasileira, o quadro de empregados começa a cair, só nos meses de Setembro e Outubro, já foram praticada pelo estaleiro em Angra mais de mil demissões, de companheiros(as) que cumpriram com o seu dever de construir a Plataforma que é sendo, a própria Petrobras: “orgulho do povo brasileiro”.
Entretanto, os trabalhadores milhares de companheiros (as) que construíram as plataformas P-52 e P-51, certamente não farão parte do quadro de empregados que construirá a plataforma P-56, que se encontra, no estágio atual, nas oficinas em processamento do aço.
DECEPÇÃO...
A nossa maior esperança era a P-57, mas, ao que parece o novo formato de contração e licitação delineado e adotado pela Petrobras para este projeto garantiu os empregos no exterior e não aqui no Brasil, principalmente, em Angra dos Reis, como fora acordado e não cumprido pela SBM. Nossa preocupação é que se essa ‘’onda pegar’’, o mesmo poderá acontecer com as futuras plataformas, inclusive, com as P-61 e P-63 que já estão em processo de licitação, e na mesma modelagem de licitação da P-57.
Senhor Presidente, mas uma vez, os trabalhadores contam com a intervenção do senhor, para que essa questão seja resolvida.
Sem mais para o momento, no aguardo de vossa posição, subscrevemo-nos.
Atenciosamente
Paulo Ignácio Furtuozo
Presidente
E-mail: pifurtuozo@uol.com.br ou metalurgicoangra@uol.com.br
(24) 9277-9799 Telefax (24) 3366-7062/3361-2130







